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Eletromobilidade é saída para desafio de redução de emissões, conclui Simpósio SAE BRASIL de Veículos Elétricos e Híbridos

Aug 23 2019

 
São Paulo – Especialistas convidados para o 8º Simpósio SAE BRASIL de Veículos Elétricos e Híbridos, realizado na capital paulista pela Seção Regional São Paulo da SAE BRASIL, foram unânimes em apontar a mobilidade elétrica como solução importante para o desafio da redução do CO₂. 

André Albuquerque Vicente, technical manager da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), abriu o debate com destaque para desenvolvimentos de projetos da empresa, em nível mundial, para melhoria da segurança, da capacidade de armazenamento de energia, e do prolongamento da vida útil das baterias. Os benefícios do uso do nióbio nas baterias de lítio foram também abordados pelo engenheiro. “O nióbio tem sido cada vez mais estudado como alternativa na composição química das baterias de íons de lítio para atender o mercado, por alto desempenho”, disse André Albuquerque  engenheiro metalurgista e mestre em Engenharia de Materiais. Atualmente são utilizados óxidos metálicos de cobalto, níquel, manganês e ferro nos cátodos, e grafite, sílica e óxidos de titânio ânodos das baterias.

Infraestrutura - Alexandre Sakai, chefe do segmento Automotivo e Eletromobilidade da Siemens, abordou a digitalização (30 milhões de dispositivos serão conectados até 2020 e o volume global de dados vai subir para 163 zettabytes até 2025); mudança demográfica (a população, 7,6 bilhões hoje, crescerá para 9,8 bilhões em 2050 com expectativa de vida aumentada de 72 para 77 anos); mudança climática (no verão de 2017 a atmosfera registrou o maior volume de CO₂ em 800.000 anos); urbanização (quase 68% da população mundial viverá em cidades – hoje 55%); e globalização (em 20 anos, volume de exportação global mais que quadruplicou). “Três principais forças disruptivas vão transformar a forma como as pessoas e bens se moverão no futuro: veículos elétricos, mobilidade como serviço e veículos autônomos”, disse. 

Paulo Maisonnave, responsável pela área de E-Mobility Offering Latam da Enel X, ressaltou o caráter disruptivo da mobilidade elétrica ao abordar o tema da infraestrutura no Brasil, e destacou as oportunidades do mercado brasileiro. “Nossa proposta é de valor, com soluções flexíveis, inteligentes”, afirmou ao defender a questão da recarga pública dos veículos, que considera um serviço. O especialista explicou que não é possível comparar a recarga elétrica ao abastecimento nos posto de combustível, nem duvidar da capacidade de fornecimento de energia para o sistema veicular elétrico, que, garantiu, é mais que suficiente. O especialista apontou oportunidades do mercado brasileiro (formado por 220 milhões de habitantes e 60 milhões de carros a combustão) para eletromobilidade: a matriz é 90% renovável e a infraestrutura, com transporte público pesado baseado em estradas de rodagem e infraestrutura de rodovias existente.

José Mauro Ferreira Coelho, diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, apresentou uma visão sobre o contexto da transição energética para os veículos elétricos e híbridos no Brasil. A EPE projeta que em 2030 as vendas acelerem para 180 mil carros eletrificados por ano. “O contexto mundial indica uma transição para economias de baixo carbono e aponta para a segurança energética”, disse. Aposta que a demanda energética mundial vai crescer mais de 30% até 2040, e o desafio é como atender a essa demanda de forma acessível, segura e limpa em um cenário de restrições às emissões locais e globais de gases do efeito estufa. José Mauro lembrou que, nesse contexto, o Brasil tem no pré-sal um imenso potencial exploratório e pode se tornar em 10 anos um dos cinco maiores exportadores de petróleo.

Pesados – Ricardo Takeu Kuwabara, gerente de Engenharia do Produto Agrale, destacou o Marruá elétrico e sua aplicação na área de mineração com vantagens para a saúde e segurança de operários australianos, atribuídas à redução de emissões e a redução de energia utilizada para ventilação primária das minas. Steve Durkin, empreendedor australiano e engenheiro de mineração, contou a experiência com o Marruá na Austrália, em comparação aos veículos a diesel em minas subterrâneas, que começa com a expectativa de redução de CO₂ em 777 t por ano, correspondentes à remoção de 165 veículos de passageiros da estrada.

André Trintini, engenheiro de Estratégia do Produto responsável pela área de E-mobility da VWCO (Volkswagen Caminhões e Ônibus), discorreu sobre veículos comerciais elétricos ao falar sobre o papel do motor diesel e seus avanços tecnológicos e incentivou a continuidade de investimentos nessa tecnologia. “Visando a transição gradual a Volkswagen enxerga em curto prazo um amplo portfolio de soluções para redução de emissões de CO₂, dependendo da aplicação, com o uso massivo de veículos elétricos em regiões especiais nos grandes centros urbanos. O futuro, a longo prazo, será elétrico ”, apontou.

As vantagens do retrofit (transformação de veículos com tração diesel para tração elétrica) de veículos pesados a combustão foi assunto de Ieda Maria Oliveira, diretora da Eletra.“Temos mais de 350 veículos pesados com tração elétrica em operação, todos desenvolvidos por nós, o retrofit é uma realidade também no Exterior”, destacou. Entre as vantagens Ieda listou menor custo na implantação da frota “verde”, reaproveitamento da frota diesel, peças de reposição disponíveis no mercado nacional e vida útil de 20 anos do kit de tração (motor elétrico, inversor, subconjuntos de potência), entre outras.

Políticas públicas – “Perspectivas de Utilização de Veículos Híbridos e Elétricos no Sistema de Transporte Público por Ônibus” foi o tema apresentado por Pedro Rama, superintendente da SPTrans, que mostrou metas de redução de emissões de poluentes segundo alterações da legislação, a partir de 2018 no artigo 50 da lei 14.933, de 2009. As metas preveem ao final de 10 anos redução de 50% de CO₂, 90% de material particulado e 80% de NOx, referentes  às emissões no uso final (escapamento). Segundo Rama, há quatro modelos de veículos a bateria em teste em São Paulo. “Das tecnologias que atendem a legislação, o veículo elétrico é o que apresenta a melhor relação custo benefício, além de que não emite poluentes e apresenta o menor nível de ruído ”, afirmou. O projeto piloto de eletromobilidade da SPTrans prevê 15 ônibus movidos a bateria e conta com a cooperação técnica da GIZ (Sociedade Alemã para a Cooperação Internacional), que  tem como foco no Brasil as energias renováveis e a eficiência energética, o WRI (Instituto de Recursos Mundiais), o ICCT (Conselho Internacional de Transporte Limpo) e o IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente).  

Devair Pietraroia da Silva, secretário de Proteção ao Cidadão de São José dos Campos, trouxe a experiência de uso de frota com 30 veículos 100% elétrica em atividade de segurança pública, que atuam 24 horas no patrulhamento. De acordo com o secretário, a economia de R$ 924 mil, com 30 veículos elétricos em operação 24 horas e 30 dias/ mês, que resultou no gasto anual de R$ 156.600,00 contra R$ 1.080,600, 00/ano, com manutenção e combustível. “Além da economia para os cofres públicos, a Prefeitura deixou de emitir cerca de 400 toneladas de CO2 (dióxido de carbônico) durante o primeiro ano de funcionamento do novo modelo, ação equivale ao plantio de 2,8 mil árvores” frisou.

Jean Pejo, assessor especial do Ministério do Desenvolvimento Regional, enfocou o tema “Mobilidade Urbana e Qualidade de Vida” em que definiu o Brasil como país urbano com 209,3 milhões de habitantes, sendo 77,9 milhões em áreas urbanas. “As cidades são áreas urbanizadas, núcleos populacionais caracterizados por espaços amplos onde ocorrem relações e fenômenos sociais, culturais e econômicos, por isso devem ser inclusivas, resilientes, inteligentes, sustentáveis, humanas e acessíveis”, afirmou. Pejo disse que o transporte coletivo de passageiros é uma das grandes fontes de emissão de gases e responsável por 7 milhões de mortes em todo o mundo por ano - cerca de 50 mil no Brasil -, e defendeu a substituição programada de veículos movidos por combustíveis fósseis por veículos elétricos. De acordo com Pejo entre os maiores emissores de gases de efeito estufa está o setor de transporte, responsável por 45% das emissões totais; o transporte rodoviário representa cerca de 90% das emissões do setor e o transporte urbano é responsável por 60%.

Tecnologias – O mercado e indústria de veículos elétricos e baterias de lítio nos EUA, Europa e China foi o tema de Márcio Goto, gerente da Roskill para a AL e Caribe. Goto aposta que até 2028 a aplicação automotiva responda por toda a demanda por baterias de íon-lítio, sendo 5% dos eletrônicos portáteis e 3% para o armazenamento de energia. Nas projeções de demanda baterias para armazenamento de energia até 2030, apontou tendência internacional de crescimento de 50% ao ano. No automotivo, projeta curva similar, com o crescimento de 30% em 2030. De acordo com Goto as vendas de veículos totalmente elétricos nos EUA, no mesmo período, devem corresponder a 42% do total, 16% serão híbridos plug-in, 14% híbridos leves e apenas 12% não têm eletrificação. “Queremos mostrar que se nada for feito a capacidade instalada projetada dos fabricantes de bateria oferece alto risco de faltar bateria no mercado em 2028”, comentou.

Alexandre Zaramela, diretor de engenharia da nacional ACS Solutions, apresentou o primeiro avião tripulado elétrico brasileiro Sora-e, e trouxe uma visão dos sistemas de propulsão aeronáuticos de energia. O engenheiro mostrou o Long +e, aeronave esportiva leve de 2 lugares e 5 horas de voo, o primeiro produzido em série para o mercado chinês. “Entendemos que o futuro da mobilidade está focado em fontes de energia mais eficientes e sustentáveis, e a aviação será movida a elétrico puro ou híbrido”, disse Zaramela.

 

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