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Simpósio da SAE BRASIL aponta soluções para reduzir peso do veículo

Jun 13 2019

Diante da complexidade dos projetos, a indústria automotiva investe em diferentes soluções para redução de peso, em busca de melhoria da eficiência energética e aumento da segurança veicular, segundo especialistas que participaram do 12º Simpósio SAE BRASIL de Novos Materiais e Aplicações na Mobilidade, realizado nos dias 4 e 5 de junho, em São Paulo (SP), sob o comando do engenheiro Mauro de Souza Paraíso, gerente de Engenharia de Materiais e Medição da Mercedes-Benz do Brasil. O encontro contou com oito painéis de palestras, além de cursos técnicos e mostra de engenharia. Na abertura do simpósio, Otacílio Gomes Junior, diretor geral da SAE BRASIL, frisou que inovação é palavra de ordem para a indústria da mobilidade.

AÇOS – Thomas Müller, chefe de Desenvolvimento de Negócios Automotivos da SSAB, apresentou soluções em aços de alta resistência desenvolvidas para aplicação em chassis e peças estruturais, com foco em redução de peso. Depois Fabrício Cerqueira, especialista em Pesquisa e Desenvolvimento da ArcelorMittal, destacou aços de terceira geração, que aliam resistência e flexibilidade. “É possível obter peças de geometrias complexas por meio da estampagem a frio”, contou. Aços avançados também foram apresentados por Carlos Carvalhido, especialista de Produto da Usiminas, que mostrou cases, como aço com resistência mínima de 1200MPa para aplicações em para-choques e barras de proteção de portas.

Sobre alumínio, Nataly Yoshino, chefe de Inovação e Desenvolvimento de Mercado da CBA, falou sobre soluções em alumínio extrudado de alta resistência para aplicação em componentes estruturais de veículos de passeio. “Proporcionam flexibilidade geométrica aliada a uma alta capacidade de absorção de impacto e redução de peso”, explicou. Em seguida foi a vez de Marco Tulio Ricci, gerente de Engenharia da Iochpe Maxion, que abordou tendências de mercado em ligas avançadas de alumínio com exemplos práticos para componentes estruturais de veículos comerciais. André Luis de Carvalho, professor associado da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), apresentou tecnologia de soldagem avançada, que permite a união de aço e alumínio, com foco em diminuir o peso do veículo.

SOLDAGEM – Mikael Mimer, gerente global de Produto da ESAB, abriu o terceiro painel com palestra sobre o lançamento de um arame sólido, que foi desenvolvido para soldagem de aços galvanizados, com o objetivo de reduzir respingo e porosidade. Depois Lou Mendoza, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Lincoln Electric, mostrou tecnologias de soldagem a arco elétrico, que contribuem para o desenvolvimento de materiais de alta resistência. Rubens Pospi, gerente de Contas da CenterLine, mostrou um estudo sobre a soldagem a ponto em chapas de alumínio, que requer maior cuidado com relação à preparação da junta, se comparada à aplicação já bastante realizada em chapas de aço.

Em evidência para aplicações em diferentes setores industriais, o grafeno norteou as discussões do quarto painel. Guilhermino José Macedo Fechine, pesquisador do Centro de Pesquisas Avançadas em Grafeno, Nanomateriais e Nanotecnologias (MackGraphe), destacou as vantagens do uso de grafeno, considerado o material mais fino, leve e forte, além de ser o que melhor conduz calor e eletricidade. “O grafeno permite adicionar diversas funcionalidades a uma peça”, afirmou. Em seguida, Anderson Maia, professor da Pós-graduação em Engenharia de Polímeros do SENAI SP, abordou oportunidades mercadológicas de materiais modificados com grafeno, como fabricação de baterias e supercapacitores.

ADESIVOS – No dia 5/6, Carlos Miguel, analista de Aplicação de Engenharia da Nitto Denko, abriu painel com apresentação de fitas adesivas de alta performance, desenvolvidas a partir de borracha, silicone ou massa acrílica. Miguel apontou que as tecnologias agregam funcionalidades à capacidade de adesão, como resistência à chama. Adesivos estruturais foram apresentados por Marcio Pinheiro, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Henkel Brasil, que destacou a solução Die Cut, que é cortada sob medida para colagem entre chapas. Gabriel Matos, assistente técnico de Vendas da Lord Brasil, falou sobre a aplicação de adesivos estruturais em substituição a métodos tradicionais de junção, como parafusos ou rebites, para redução de peso. “Os adesivos possibilitam a união eficiente de materiais dissimilares, são facilmente adaptáveis aos processos produtivos e podem curar em temperatura ambiente”, afirmou.

Em painel sobre materiais não metálicos, Luiz Fernando Roxo Galvão, coordenador de Negócios da Basf, mostrou amplo portfólio de soluções em plásticos com foco em substituição de materiais metálicos em diferentes peças do veículo para redução de peso e ganho de eficiência energética. Fernanda Mussi, engenheira de Materiais da Bridgestone, falou sobre sustentabilidade no desenvolvimento de pneus e mostrou pesquisas da empresa voltadas para a expansão do uso de recursos renováveis, como a borracha natural extraída do Guayule, arbusto nativo do norte do México e do sudoeste dos Estados Unidos. José Alfinger, gerente de Conta da Eastman, mostrou soluções em resinas de fontes naturais e renováveis para melhoria do desempenho de pneus em resistência ao rolamento e aderência em piso molhado.

COMPÓSITOS – André Inácio, engenheiro de Produto da GM, falou sobre a evolução do uso de compósitos no esportivo Corvette. “Para ter ideia, entre uma plataforma e outra, conseguimos 25% de redução de peso”, contou. Rodrigo Berardine, gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios Estratégicos da Owens Corning, abordou a manufatura aditiva como solução para a prototipagem com redução de custos e apresentou inovações em filamentos termoplásticos para impressão 3D, reforçados com fibra de vidro, que possibilitam a fabricação de protótipos funcionais. Patricia Lanzarini, gerente de Negócios da Arkema, falou sobre resina termoplástica utilizada para produção de peças mais leves. “Permite excelente acabamento e boas propriedades mecânicas”, acrescentou. Ariosvaldo Vieira, coordenador de Desenvolvimento de Novos Produtos e Processos da Tecnofibras, mostrou soluções em compósitos para aplicações estruturais. “São capazes de atender diferentes exigências de projeto, com reduções significativas de peso”, frisou.

Materiais para veículos elétricos foram abordados no último painel do simpósio, que abriu com Leandro Antunes Berti, coordenador-geral de Desenvolvimento e Inovação em Tecnologias Estratégicas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Berti comentou sobre baterias de grafeno, que possuem alta capacidade de armazenamento, além de carregamento rápido. José Roberto Regazzi, gerente de Vendas da Wacker, apresentou inovações em resinas de silicone, que viabilizam aplicações de eletromobilidade. “Protegem componentes que passam por solicitações elétricas e térmicas constantes”, explicou. Rafael Galdino, especialista de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Gerdau, reforçou que a eletromobilidade demanda redução de peso, que pode ser alcançada com aços de alta resistência. O uso do nióbio para a fabricação de baterias mais eficientes foi abordado por Rodrigo Amado, gerente geral da Divisão de Mobilidade da CBMM. “As baterias de nióbio já carregam em menos de 15 minutos e possuem longa autonomia”, apontou.

Organizado pela SAE BRASIL – Seção São Paulo, o 12º Simpósio SAE BRASIL de Novos Materiais e Aplicações na Mobilidade contou com apoio e patrocínio da Aperam, ArcelorMittal, Arkema, Brasmetal, CBA, CBMM, ESAB, Feiplar Composites & Feipur, Gerdau, Gestamp, Lord, Owens Corning, IQA, SSAB e Tox.