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Ferramentas de testes e simulações têm grande potencial de contribuir com as demandas do Rota 2030, apontam engenheiros

Sep 24 2018

Capazes de prever erros e acertos no processo de desenvolvimento, as ferramentas de testes e simulações têm grande potencial de contribuir com as demandas do programa Rota 2030 em segurança veicular e eficiência energética. Esta foi uma das principais mensagens do 16º Simpósio SAE BRASIL de Testes e Simulações, realizado no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo, nesta terça-feira (18/09), sob a direção de Leandro Garbin, membro da Seção Regional São Paulo da SAE BRASIL e diretor da VirtualCAE. Na abertura, Gábor Deák, conselheiro da SAE BRASIL, mencionou o simpósio como oportunidade para discutir a participação da indústria local na revolução tecnológica por meio de ferramentas avançadas de desenvolvimento.

Durabilidade – No painel focado em durabilidade, o engenheiro Jonathan Peter Marxen, especialista em Desenvolvimento do Produto da Mercedes-Benz, falou sobre novo campo de provas da fabricante, em Iracemápolis (SP). Integrada à rede mundial de desenvolvimento, a instalação dispõe de monitoramento em tempo real dos protótipos em teste e opera em sinergia com as pistas de Woerth (Alemanha) e Madras (EUA) para projetos de desenvolvimento globais, disse Marxen. Em seguida, Maicon Molon, engenheiro de Testes do Campo de Provas Randon, mostrou metodologia para a definição dos procedimentos de testes de durabilidade acelerada em implementos rodoviários, com foco na correlação dos danos causados em diferentes subsistemas. Paulo Sergio Pomaleski, gerente de Serviços da Smarttech, apresentou plataforma de IoT (Internet das Coisas), que disponibiliza em tempo real informações do veículo em ensaio de durabilidade. “A tecnologia permite tomada de decisão imediata, o que encurta o processo de desenvolvimento”, destacou. Juan Carlos Dehoyos, gerente de Testes Externos da Bridgestone, mostrou o campo de provas instalado em São Pedro (SP), com pistas de NVH, dinâmica veicular, dirigibilidade e frenagem & hidroplanagem, que permitem o desenvolvimento de todos os tipos de pneus da companhia.

Campo-laboratório – No segundo painel, sobre estudos de correlação campo-laboratório, Lucas Figueiró Berto, analista de Desenvolvimento de Produtos da ZEN, falou sobre o desenvolvimento de uma polia para alternador com sistema de roda livre e amortecimento torcional, cujo foco é atenuar a vibração no conjunto dos motores de combustão interna para evitar falhas prematuras e problemas de durabilidade. Em seguida Gabriel Radaelli Piazza, engenheiro de CAE da Suspensys, apresentou avaliação da vida em fadiga de suporte de molas de suspensão traseira de um caminhão plataforma com rodagem em diferentes tipos de estradas, com cálculo dos danos em cada um dos pontos instrumentados.

Simulação de processos – Edinilson Alves Costa, engenheiro de Desenvolvimento de Produtos da Ford, abriu o terceiro painel, sobre simulação de processos. Costa comparou metodologias para o cálculo da vida em fadiga de uma solda em reservatório de fluído de um caminhão. “Os dois métodos (domínio do tempo e da frequência) tiveram boa correlação, mas o domínio da frequência permite acelerar os testes físicos”, concluiu. Giovanni Prandini, analista de Simulações da VirtualCAE, analisou propriedades mecânicas em peças produzidas por manufatura aditiva. “Com a introdução da manufatura aditiva no processo produtivo de componentes de uso final, existe a possibilidade de uma mudança de paradigma, uma vez que peças com maior eficiência, menor peso e maior funcionalidade podem ser concebidas”, apontou. Davi Cury, engenheiro de Aplicação da Siemens PLM, encerrou o painel com a experiência obtida em campanhas de testes com motores elétricos na China. Com foco em NVH, a análise demonstrou que os motores elétricos apresentam ruídos agudos quando atingem alta frequência. “Se não tiver pacote acústico, o motor elétrico não é tão quieto assim”, afirmou.

Segurança – Na abertura do quarto painel, José Eduardo Silva, engenheiro de Produto da Volkswagen, apresentou estudo para a otimização de crashbox, com padrão origami, a partir de técnicas de metamodelos. “A ideia foi construir um corpo com pré-deformação e criação de deformação plástica, o que aumenta a absorção de energia”, explicou Silva. Ramon Juan Silva, engenheiro de Aplicação da ESI Group, falou sobre o Whiplash, teste virtual de segurança aplicado em veículos na Europa para análise de danos provocados aos ocupantes por impactos traseiros, que geram o chamado efeito chicote. “O teste permite considerar processos de manufatura dos bancos na análise”, destacou. Rudinixon Moreira Bitencourt, especialista em Análises de Dinâmica Veicular da FCA, mostrou simulador de dinâmica veicular desenvolvido em parceria com a PUC Minas, capaz reproduzir o comportamento dinâmico real do veículo. “O simulador permite trazer os pilotos para a fase de conceito do projeto e aprimorar os testes”, contou Bitencourt.

Rich Byczek, diretor global de Tecnologias de Transporte da Intertek, abordou no quinto painel a necessidade de homologação dos cabos de carregamento de veículos elétricos independentemente das certificações de segurança dos veículos. “Um programa robusto de conformidade com o mercado global é necessário para o lançamento desses produtos junto com os veículos”, afirmou. Brian McCaskey, engenheiro de Suporte da AVL, apresentou análise de durabilidade de rolamentos com lubrificação elasto-hidrodinâmica a partir do software AVL Excite, que determina cargas dinâmicas e deformações da estrutura, além de avaliar o layout de fornecimento e fluxo de óleo e de reduzir o atrito hidrodinâmico, entre outras aplicações. Francesco Calabrese, do Fraunhofer Institut Fuer Techno, falou sobre o software CDTire, que simula o desenvolvimento inicial dos veículos a partir de potenciais tamanhos de pneus e rodas. “Somos capazes de parametrizar seguindo a mecânica dos pneus; provamos que o modelo tem a correlação física correta entre as propriedades materiais, estruturais e geométricas e as características globais dos pneus”, apontou.

Engenharia avançada – Jonaína Reckziegel, Pesquisa & Desenvolvimento de Carros Elétricos da VirtualCAE, apresentou no sexto painel trabalho conceitual de projeto de engenharia avançada para substituição de motores de combustão interna por motores elétricos em veículos de passeio. “A ideia é mostrar que é possível reaproveitar projetos existentes de veículos fazendo a eletrificação”, afirmou Jonaína, que fez a comparação de desempenho dinâmico entre os carros por meio dos softwares de dinâmica veicular Speed e CarSim. Lucas Barreiros Robatto, doutorando em Engenharia Aeronáutica e Mecânica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), falou da aplicação da metalurgia do pó para a fabricação de engrenagens em substituição aos processos tradicionais, que utilizam o aço forjado. “Diversos estudos mostram possíveis benefícios dessa aplicação em termos de custos, tempo de fabricação e desempenho de produto”, apontou.

Rota 2030 – Lideranças da indústria encerraram o simpósio com debate sobre o programa Rota 2030 e foco nos cenários de P&D. Erwin Franieck, gerente de Desenvolvimento da Robert Bosch, apontou que o uso sistemático do Manual de Frascati, metodologia para pesquisa e desenvolvimento, seria passo importante para a definição de políticas estratégicas no Brasil. Fernando Ferraz, diretor de Operações da AKAER, apontou que não há como escapar da globalização da pesquisa, uma vez que o mundo caminha para redes de colaboração. “A pesquisa multisite e multidisciplinar é o desafio. Se não conseguirmos nos inserir nas pesquisas de larga escala, ficaremos sempre periféricos e muito mais caros”, afirmou. Luciano Santos, ex-diretor de Integração e Performance Veicular do Campo de Provas e Engenharia de Materiais da General Motors para América Latina, apontou caminho para o avanço da eletrificação no País. “O Brasil deve começar pelo transporte de massa”, recomendou. Roberto Ramos, gerente sênior de CAE da General Motors, destacou a necessidade de união entre indústria e academia para a inovação e a formação do engenheiro do futuro, preparado para o desenvolvimento de veículos autônomos e elétricos. “Precisamos desenvolver um novo engenheiro, que conheça mecânica, programação/ sistemas e sensores”, afirmou.