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Baterias e segurança veicular são os principais desafios de veículos elétricos e híbridos

Oct 22 2019

Painel no 28º Congresso SAE BRASIL trouxe a visão de uma montadora, de uma fabricante de componentes e de uma empresa de serviços de engenharia para o desenvolvimento nessa área

As perspectivas, novidades e desafios de veículos elétricos e híbridos na visão de uma montadora, de uma fabricante de componentes automotivos e de uma empresa de projetos de engenharia e homologação veicular foi o foco do Painel Veículos Elétricos e Híbridos no 28º Congresso SAE BRASIL. Especialistas nessas tecnologias mostraram as estratégias que estão sendo adotadas por suas empresas para esse segmento, tanto nos veículos leves como nos pesados, e na área de segurança veicular.

O Gerente de Engenharia da Volkswagen do Brasil, Roger Guilherme, apresentou os projetos da montadora, focados em popularizar a tecnologia dos veículos híbridos, por meio do MEB (Modular Electric Drive Toolkit), que atua com sistema modular, cuja estrutura é conduzida por módulos (chassis semelhante a Lego). Nesse formato é possível construir diversos modelos de veículos, otimizando assim a produção. A Volkswagem deve lançar até 2025 mais de 20 modelos nesse formato. O primeiro modelo será o ID3, com 150 cavalos de potência, capaz de atingir 160 km/h. O veículo será dotado de uma bateria modular, que pode ser recarregada na sua totalidade em 30 minutos, com 300 km de autonomia. “Nossa escolha foi pelos veículos híbridos, de forma que o consumidor pode ter a liberdade de escolher, por exemplo, que nos centros urbanos o veículo seja usado no modo elétrico e possa usar combustível em viagens de longa distância”, pontuou Guilherme.

“A principal motivação para o investimento nos carros elétricos e híbridos é reduzir a emissão de CO2. Há uma necessidade dessa mudança, ela vai ocorrer, mas a grande questão é como e quando isso acontecerá”, analisou o engenheiro, citando como desafios para o Brasil as longas distâncias que precisam ser percorridas, infraestrutura em construção e grandes cidades com poluição urbana.

Maria de Odriozola Martínez, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento em Segurança Passiva da Applus Idiada, compartilhou com os participantes do painel o trabalho que vem sendo desenvolvido em segurança veicular de veículos elétricos, destacando as especificidades de crash tests (simulação de acidentes), que necessitam de protocolos diferentes para carros elétricos.

O vice-presidente de engenharia da DANA, Ryan Laskey, apresentou as soluções da empresa em transmissão para a eletrificação, sendo hoje a única fornecedora de componentes para veículos com capacidades completas de projeto, engenharia e fabricação de propulsão eletrônica. O executivo mencionou dados que justificam o direcionamento da empresa: segundo a consultoria Roland Berger, as projeções apontam que em 2025 de 12 a 25 % dos veículos leves serão híbridos ou BEV (Veículos Elétricos com Bateria), e de acordo com a McKinsey & Company, em 2030 a participação de veículos eletrificados poderá representar de 10 a 50% das vendas de veículos novos. Ainda segundo a McKinsey, praticamente 30% dos compradores de veículos nos EUA consideram comprar um veículo elétrico.

“O painel foi brilhante e atendeu plenamente as expectativas. O grande interesse nesse tema e a sucessão de eventos sobre veículos elétricos que vem ocorrendo mostram que o público vê a mobilidade elétrica cada vez mais presente, de forma que há uma crescente massa crítica se formando a esse respeito. A SAE BRASIL faz a sua a sua parte ao trazer conhecimento e discussão sobre mobilidade elétrica não só no Congresso, mas em eventos técnicos pelo Brasil”, considerou o coordenador do Comitê Técnico de Veículos Elétricos e Híbridos, Raul Fernando Beck. Para ele, o grande desafio técnico nessa área são as baterias. “O desafio para a engenharia é o desenvolvimento da bateria, que é o elemento crítico no desenvolvimento tecnológico dos veículos elétricos. A parte de eletrônica, sistemas de controle e motores elétricos já é amplamente dominada, mas bateria envolve área de conhecimento de engenharia de materiais, algo que evolui mais lentamente”, avaliou, lembrando, entretanto, que o avanço está mais rápido do que o esperado, mencionando a redução contínua observada no custo de produção das baterias de lítio-íon nos últimos anos.

Para o integrante do Comitê Técnico de Veículos Elétricos e Híbridos e Co-chair do Painel de Veículos Elétricos, Jomar Napoleão, a grande presença do público no painel demonstra como esse tema gera interesse da comunidade da Engenharia. “Quando fizemos o primeiro evento sobre veículos elétricos e híbridos em 2011, muita gente colocava em dúvida se isso iria pegar. Hoje, essa pergunta não existe mais e as pessoas querem saber como participar da transformação da mobilidade trazida pelos veículos elétricos e híbridos”, finalizou.