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Pesquisa aponta que 90% dos consumidores comprariam carros elétricos

Oct 18 2019

Dados foram apresentados durante o Painel Internacional do Congresso SAE

A mudança do mindset dos consumidores para o futuro da mobilidade já começou. É o que aponta uma pesquisa apresentado durante o Painel Internacional do 28º Congresso e Mostra Internacionais SAE BRASIL de Tecnologia da Mobilidade, realizado simultaneamente à Fenatran, no São Paulo Expo, que mostra que 90% dos consumidores comprariam carros elétricos.

De acordo com Ricardo Bacellar, líder do setor automotivo da KPMG, a indústria não é mais quem dita regras de mercado e, sim, o consumidor. “Não é a tecnologia que vem à frente, mas somos nós que correspondemos ao interesse do nosso ‘patrão’ que é o cliente. Ele está cada vez mais empoderado. Noventa e seis porcento dos consumidores chegam às concessionárias com a decisão de compra praticamente tomada e suas escolhas se baseiam, principalmente, em informações obtidas na internet”, revelou.

A pesquisa mostrou ainda que metade dos consumidores entrevistados deseja adquirir um veículo zero quilômetro na sua próxima compra, sendo essa intenção ainda mais nítida entre aqueles com mais de 51 anos de idade. Quanto ao momento em que essa compra será concretizada, a maioria estima que será em até dois anos.

“Nesse cenário positivo e ambicioso temos novas possibilidades de negócios que não são apenas produzir veículos. Não podemos pensar que a indústria vai continuar refém da sua única fonte de receita que é apenas produzir e vender. O consumidor está receptivo à inovação. É preciso agregar sem abandonar nosso legado”, disse.

A pesquisa traz uma nova perspectiva para o setor automotivo e foi desenvolvida com base nas respostas de 256 executivos e 1004 consumidores entrevistados em todas as regiões do Brasil. O estudo, denominado Global AutomotiveExecutiveSurvey (GAES) Brasil, foi conduzido pela KPMG no Brasil.

O vice-presidente e COO da SAE INTERNATIONAL, Raman Venkatesh, fez a seguinte pergunta aos presentes. “Será que estamos levando a sério a questão de mobilidade e a direção autônoma ou consideramos que é só uma fantasia? Até o momento já foram percorridas mais de 1 milhão de milhas em veículos sem motoristas só de uma única companhia. A disrupção já chegou e temos que analisar sob várias perspectivas, pois a mobilidade é muito mais do que veículos e constrói todo o sistema em que estamos inseridos”, apontou.

Os painelistas foram unânimes ao concordar que há uma mudança nos modelos de negócios para os próximos anos, com especial destaque para a transformação digital, por meio da qual o consumidor está trocando posse de veículo por uma solução de mobilidade.

De acordo com os executivos, a agenda de estratégias está focada em demandas e transformações de um futuro muito próximo, em que é preciso reinventar estratégias, pensar em novas soluções e serviços. Como a Xevo Market, uma plataforma inovadora de comércio e serviços automotivos que permite às montadoras e às marcas comerciais interagir com seus clientes diretamente por meio das telas sensíveis ao toque de seus veículos.A plataforma oferece ofertas e promoções e permite que os consumidores façam pedidos e paguem, façam reservas e localizem tudo a partir de suas telas sensíveis ao toque do veículo. “Já imaginou poder fazer o pedido de um lanche no fast-food favorito para não ficar mais na fila? Isso é possível”, afirmou Timo Bauer, EVP Business Development da Xevo - Lear Corporation.

Também participou do painel Cosimo de Carlo, Chief Executive Officer da EDAG, multinacional e uma das maiores prestadoras de serviço independentes do mundo para a indústria automotiva, desenvolvendo veículos, instalações de produção e car IT. “O desenvolvimento de conceitos de veículos sustentáveis e orientados para o futuro está firmemente ancorado no DNA do nosso grupo e estamos orgulhosos dessa tecnologia ser aprimorada e disponível no Brasil, em São Bernardo do Campo”, disse. Por meio de filmes que pareceriam futuristas até alguns anos atrás, o executivo mostrou um conceito modular de veículo para transporte de passageiros e cargas totalmente modular, elétrico e autônomo.

Já Ernesto Pesochinsky, Director – Expert in Smart Mobility da Mobileye, trouxe ao painel a tecnologia dos carros autônomos disponibilizada em Israel, sede da empresa. “94% das colisões traseiras são por conta de falta de atenção dos motoristas e dirigir em Jerusalém é mais difícil que em São Paulo, acreditem. Os veículos estão sendo equipados com câmeras que imitam o olhar humano, porém configuradas de forma trifocal e longa distância. Nosso desafio é colocar essa tecnologia de forma escalável, para que todos tenham acesso a esses veículos”. Ernesto mostrou experimentos reais das novas tecnologias de mobilidade, operando nas ruas da cidade, exemplificando detalhadamente como os algoritmos executam análises e tomam decisões.

Tony Sandberg, Research Director da Scania, apontou que além da demanda e expectativa dos consumidores por veículos cada vez mais tecnológicos, a preocupação da companhia e grande desafio é enfrentar as mudanças climáticas. “Temos a missão de reduzir as emissões de CO2 em 50% a cada década, por isso precisamos continuar investindo. Mas, as mudanças ocorrem de forma gradual. Quando a indústria falava de frotas eletrificadas, isso não seria feito do dia para noite. Já temos veículos para quase todos os tipos de combustíveis alternativos e queremos reduzir a emissão desses veículos em 90%. Essas soluções já estão disponíveis ao mercado hoje, mas não estamos satisfeitos e vamos criar sistemas para escalar rapidamente, entender as necessidades do cliente que solicita um transporte cada vez mais sustentável”, reforçou.

Camilo Adas, conselheiro da SAE BRASIL e mediador do debate, fez uma análise contundente do que foi apresentado, afirmando que a indústria e sociedade local possuem todos os requisitos para caminhar alinhados às tendências de mobilidade mundial. “Foram mostradas tecnologias simples, claras e que já estão disponíveis. Dizer que o brasileiro não pode participar do mundo da mobilidade global é uma decisão meramente do brasileiro. A tecnologia está aí a SAE BRASIL está para auxiliar e fazer a ‘ponte’”, enfatizou.