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Caminho sem volta: veículos serão cada vez mais conectados, autônomos e descarbonizados

Oct 18 2019

Indústria automotiva deve seguir a tendência à conectividade e investir cada vez mais na descarbonização e autonomia dos veículos

 

Em cinco anos, a internet vai crescer quatro vezes mais e até 2040 os usuários farão 4 mil interações por dia no celular. Hoje, são cerca de 600 interações diárias. Para conseguir acompanhar a evolução do mercado na mesma velocidade, a indústria automotiva deve seguir a tendência à conectividade e investir cada vez mais na descarbonização e autonomia dos veículos. Essas questões foram debatidas no Painel Engenheiros-Chefes, que teve como tema central “Ecossistema de Mobilidade: Cenário Nacional x Cenário Internacional”.

De acordo com o Chief Program Engenner da Ford, Alexandre Machado, o comportamento e o hábito dos consumidores mudaram muito nos últimos anos, o que impacta diretamente no modo de pensar da indústria. “As pessoas estão cada vez mais se importando com benefícios não somente para elas, mas para toda a sociedade. O conceito de economia compartilhada é algo em alta. Os grandes centros vão continuar inflando e com populações maiores, por isso a necessidade de veículos inteligentes em cidades inteligentes. Precisamos devolver as cidades para as pessoas, integrando os mais diversos modais e os veículos têm uma parcela importante nesse processo. O veículo conectado, autônomo, elétrico e compartilhado é o que vislumbramos. É uma tendência inevitável”, afirmou.

O novo desafio da indústria automotiva é oferecer algo que vá além do deslocamento por si só. Foi o que apontou o VP Quality & Costumer da Renault, Flavio Lima. “Na indústria da mobilidade, independente do modal utilizado, a conectividade deve ser para todos. O futuro que queremos são veículos elétricos, com zero emissão e autônomos. No entanto, criar veículo elétrico não é mais novidade; o desafio é fazer com que ele se torne essencial numa realidade em que as pessoas ainda pensam como 1.0. O futuro é hoje e quem não entender isso já ficou para trás”, sentenciou.

A tendência dos veículos autônomos e conectados está diretamente ligada ao quesito segurança e a preocupação das montadoras com os motoristas, passageiros e pedestres. “A associação das nossas marcas com acidentes não será mais tolerada. Por isso temos que continuar investindo em inteligência artificial. O caminhão, por exemplo, é uma ferramenta que precisa funcionar bem o tempo todo. Não pode ter paradas imprevisíveis. Atualmente já é possível, pela tecnologia, nos anteciparmos às falhas e direcionarmos um motorista a uma assistência próxima”, mencionou o Diretor de Desenvolvimento Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil, Marcus Kliewer.

Segundo ele, as estatísticas de acidentes se tornam uma aliada para o desenvolvimento de novas soluções, como caminhão que identifica um pedestre ou animal e freia automaticamente, que já são realidade. “Antes, os tombamentos naturais eram o gargalo dos acidentes com caminhões. Hoje, os números mostram que as colisões traseiras e em retas são as mais comuns”, pontua.

No entanto, mesmo em um cenário com desafios a transpor, a mobilidade elétrica avança com números significativos. Segundo a Project Manager BtoT da Engie, Leslie Josephine-Tally, já são mais de 80 mil pontos de recarga que a empresa possui instalados pelo mundo. No Brasil, a redução do IPI e a exclusão do imposto de importação para carros elétricos trazem condições favoráveis ao setor. A lei do clima da capital paulista, que obriga a emitir menos poluentes e o decreto da Prefeitura do Rio de Janeiro que dá as diretrizes para que as novas concessões de ônibus serão somente zero carbono, sinalizam que o país caminha para a mobilidade sustentável.

“O momento é perfeito para preparar o futuro elétrico. Podemos esperaras diretrizes mundiais ou tomarmos uma atitude proativa. Para tornar a mobilidade elétrica acessível já temos algumas alternativas, como incentivos para as montadoras e subvenções para os compradores”, apontou.