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Desenvolvimento sustentável da mobilidade depende da integração entre todos os elos da cadeia

Oct 17 2019

Painel Operações Industriais Conectadas, do Congresso SAE BRASIL, debate Economia Circular e Conceito de Indústria 4.0 como alternativas de melhoramento da eficiência, produtividade e performance nas organizações industriais

O painel “Operações Industriais Conectadas” abordou, durante o Congresso SAE BRASIL 2019, o tema desenvolvimento sob um novo prisma, vislumbrando a necessidade de uma mudança dos atuais paradigmas, atividades, custos, qualidade e gestão de toda a cadeia de suprimentos em um mundo cada vez mais conectado.

Seguindo esta premissa, o painel contou com a interação de especialistas gabaritados atuantes na indústria, academia e consultorias, que promoveram um amplo debate dentro desse universo das operações industriais conectadas, buscando maior amplitude, incluindo sustentabilidade em todo o processo.

“Vivemos uma nova era das navegações e a sustentabilidade surge como o novo parâmetro tecnológico, que vai acontecer por intermédio da Economia Circular. Este modelo econômico reorganizado é focado no planejamento nos sistemas de produção e consumo baseado no projeto eficiente do produto”, explicou o Chairperson do painel, Gyorgy Henyei Junior.

A Economia Circular é um conceito estratégico que atua na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia, substituindo o conceito de fim-de-vida da economia linear, por novos fluxos circulares de reutilização, restauração e renovação. Sempre em um processo integrado, a economia circular é vista como um elemento chave para promover a dissociação entre o crescimento econômico e o aumento no consumo de recursos.

“Neste cenário sociotécnico, que toma forma por meio de alinhamentos de funcionalidade de tributos do dia a dia, se evidencia a necessidade de os regimes serem quebrados. Isso porque quando os nichos acumulam força suficiente para se romper é o momento em que surgem as janelas de oportunidades para as ideias disruptivas”, analisou o estudioso Nelson Marinelli Filho.

Marinelli destacou também a importância das operações sustentáveis conectadas ao nosso espaço de vida e humanidade. “É preciso construir ‘Espaços de vida’, nos quais a mobilidade seja um dos pontos focais, passando a ser vista sob o paradigma de P.S.S (Product Service Systems), que, para serem construídos com sucesso, devem respeitar a hierarquia de ‘resíduos’, interagir de forma equilibrada com os outros componentes do sistema (trabalho, educação, cuidados de saúde e consumo)”. Assim, o valor garantido deve acontecer por meio do design e da resiliência, em um cenário de aptidão que respeite um acordo social.

A melhor forma de entender a Economia Circular é colocá-la no centro da busca de resultados reais de negócio e de evolução social e ambiental, norteando o desenvolvimento de novos conceitos de produtos e serviços.

Manufatura avançada: indústria 4.0 na mobilidade
A mobilidade caminha para o conceito de indústria 4.0, a conhecida quarta revolução industrial, que envolve a transformação digital em todas as suas frentes, ou seja, a hiperconectividade, com dados na nuvem e a internet das coisas.

Seguindo esse raciocínio, o diretor industrial da Sabó, Ricardo Teixeira Ávila, destacou em sua apresentação o quão complexo é enxergar dados e como eles flutuam na rede. Sendo a agilidade o grande conceito da indústria 4.0, o maior desafio da mobilidade será ampliar essa característica, ao mesmo tempo em que aumenta a capacidade do seu capital aplicado.

Soluções digitais na manufatura conectam os pontos de toda a cadeia de valor, assim como sensores em rede e softwares permitem coletar, compartilhar e analisar dados em grandes quantidades com alta velocidade e baixos custos. “Ou seja, a indústria 4.0 na mobilidade busca por uma produção customizada, em contínua redução do ciclo de vida do produto, com agilidade na flutuação da programação de produção e, ao mesmo tempo, grandes variações de processo, o que aumenta o grau de alteração no espectro de peças e da demanda de qualidade produtiva”, explicou o Head of Digital Products & Solutions da Comau, Leandro Escobar.

Continuando as plenárias, o diretor industrial LATAM da FCA, Francesco Ciancia, ampliou o debate sobre manufatura 4.0, que vem para atender à necessidade de inovação alinhada à sustentabilidade da empresa, gerando novos modelos de negócios e players industriais. “A indústria 4.0 precisa atender as recentes demandas de consumo que se tornam mais sofisticadas, aumentando os níveis de serviço. Entre estas novas demandas estão: energia sustentável, automação, tecnologias inovadoras e serviços conectados”, afirma.

Essa conexão se estende para o setor logístico, como explicou o executivo de RCM (Regional Material Control) da Scania, Eduardo de Paula. “A cadeia de suprimentos também deve estar conectada, assim é possível garantir uma gestão eficiente na logística que promove e coloca em atuação um fluxo de produtos e de informações integrados, favorecendo uma maior rapidez na efetiva realização dos processos logísticos”.

Outro fator que garante a eficiência da cadeia de suprimentos logísticos é o humano. “As pessoas são fundamentais na mudança tecnológica e sua aplicação”, apontou o executivo de produção, KD e outbond da Scania, Daniel Chiapesan. Para o executivo, a sustentabilidade no processo logístico tem que ser mais do que um discurso e deve fazer parte do objetivo da empresa.

Para a última apresentação do painel, o mediador Gustavo Peçanha Lacerda de Lima chamou ao palco a master coach de desenvolvimento humano, Cristina Calligaris, que destacou a sustentabilidade humana como foco principal da tecnologia. “Vivemos em um mundo de tecnologias muito rápidas, então é preciso utilizá-las como uma aliada e de forma equilibrada”, afirmou Cristina. “Temos um potencial tecnológico muito grande, mas precisamos lembrar que o mais importante são as pessoas, pois tudo é feito para elas”, completou Lima.

A pergunta ‘o que esperar da indústria 5.0?’ encerrou o painel. Para respondê-la, os palestrantes se revezaram e concluíram que a indústria 5.0 será focada em pessoas, nas suas necessidades, na relação interpessoal, no desenvolvimento de parcerias e na capacitação das pessoas, que são as premissas primordiais para que se possa chegar até a indústria 5.0.