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Investimento na infraestrutura ferroviária é caminho para mobilidade sustentável

Oct 17 2019

Painel Ferroviário, realizado durante o Congresso SAE Brasil, destaca iniciativas desenvolvidas no setor e a importância do aumento do modal ferroviário na matriz de transportes do Brasil

Com menos emissão de CO2 e menores custos nos transportes de carga e passageiros, os veículos ferroviários assumem protagonismo quando o assunto é sustentabilidade. Este foi o tom do Painel Ferroviário no Congresso SAE BRASIL 2019, que contou com a participação de executivos do mercado e entidade representativa do setor.

Para a engenharia ferroviária, o desafio é buscar sempre uma gestão sustentável com o uso eficiente dos recursos naturais, assim como reduzir substancialmente a geração de resíduos por meio da prevenção, que tem como base a redução, reciclagem e reuso dos componentes ferroviários em todos os seus estágios.

Neste cenário, pensar em sustentabilidade é ter em mente integração com a sociedade, prática que almeja a geração de valor e riqueza para os elos envolvidos direta e indiretamente. “Toda empresa ferroviária ou de logística com base sustentável tem refletido nos resultados uma boa performance quando se desenvolve pensando em integração dos modais”, explicou o gerente geral de engenharia e centro de controle da VLI, João Silva Junior. Para ele, a sustentabilidade deve ser inserida no planejamento estratégico da empresa sempre focado e pautado dentro de uma cadeia de valor. “Esta é a melhor forma para gerar riqueza integrando a companhia com a sociedade, desenvolvendo novos modelos de negócios para potencializar o impacto de atuação”, salientou, exemplificando que na empresa em que atua, os conceitos de sustentabilidade são disseminados por meio da universidade corporativa.

Já direcionando maior preocupação para as demandas da sociedade, é possível antever que as pessoas demandarão por mais mobilidade, e não poderão depender apenas dos modais rodoviário, que no futuro não atenderão toda a procura. Desse modo, a solução, alinhada com o futuro das cidades, está na integração entre as cadeias de mobilidade. “Esse futuro deve ser desenhado em parceria para que os elos alimentadores e compartilhados desenvolvam soluções de deslocamento de alta capacidade. Um ônibus não tem como atender 25 mil passageiros hora/sentido, por isso é preciso pensar em um modal integrado para atender a toda essa demanda e que possa desenvolver a indústria nacional”, salienta o Head Of Innovation da Marcopolo, Petras Amaral.

As perspectivas para esse futuro são positivas, segundo avaliação dos participantes do Painel Ferroviário no Congresso SAE BRASIL 2019, já que o Brasil demonstra potencial para o desenvolvimento de soluções nacionais, tanto em via elevada quanto terrestre. Entretanto, o País não utiliza nem um terço dos seus trilhos. Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), são 28.218 quilômetros de malha ferroviária, o que representa menos de 30% da participação ferroviária na mobilidade nacional.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), e mediador do painel, Vicente Abate, o Governo Federal deverá mudar a matriz do transporte brasileiro para que os trens possam realizar trechos de longa distância. “Com um sistema ferroviário eficiente será possível interligar o País, escoar a produção, transportar pessoas e criar uma oferta de frete mais barato e atraente”.

Na pauta governamental existem muitos projetos de expansão que podem ser atrelados a investimentos de algumas concessionárias. O Brasil é naturalmente voltado às commodities, mas, por outro lado, também tem a capacidade para criar paradigmas na demanda industrial como o vagão double stack, que incentiva o setor logístico ferroviário a buscar novas tecnologias para balancear a matriz de carga brasileira.

Para tornar o modal ferroviário ainda mais sustentável é preciso também analisar melhorias no projeto de vagões para carga com aumento da eficiência energética, como apontou o gerente de engenharia de desenvolvimento da Greenbrier Maxion, Rodrigo Cordeiro. “Redução de peso e arrasto aerodinâmico se traduzem em diminuição no consumo de combustível e melhor eficiência energética”. Segundo Cordeiro, a redução da resistência proporciona aumento da velocidade operacional, que, por sua vez, só acontece a partir do momento em que se aprimora a relação veículo/via. Ao mesmo tempo, a melhoria no vagão colabora com a diminuição da resistência ao movimento. “É preciso entender as características das ferrovias para entregar projetos com alto valor agregado”, ressaltou.

Encerrando o debate, o chairperson do Comitê Ferroviário da SAE BRASIL e também diretor de engenharia da Greenbrier Maxion, Mario Coura, destacou o atual patamar de desenvolvimento do setor ferroviário brasileiro, que aguarda por renovações de concessões e liberação dos entraves políticos e burocráticos do Brasil. “O setor ferroviário brasileiro possui muita tecnologia inserida e em desenvolvimento, tem capacitação e está preparado para crescer e gerar lucro. O que percebemos também é a falta de expansão da malha. E essa ampliação precisa acontecer, ou seja, a infraestrutura do nosso país precisa ser melhorada para que a partir dessa ação haja o crescimento do modal que é tão importante para nossa economia”, finaliza o chairperson.