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Transformação digital não é só tecnologia: envolve mudança cultural das pessoas

Oct 16 2019

A segunda parte do Painel Transformação Digital do 28º Congresso SAE BRASIL reuniu CIOs (ChiefInformation Office) de montadoras e líderes de startups para debater o impacto da transformação digital e os novos negócios na mobilidade.

 

Mais do que o uso da tecnologia em si, para os debatedores, a verdadeira transformação digital é muito mais ampla e pressupõe uma mudança cultural e de mindset, o que necessariamente envolve seres humanos, e é viabilizada e potencializada pela tecnologia.

 

“Fomos criados e formados para construir alguma coisa e não para oferecer um serviço. O foco foi sempre em desenvolver o produto sem que os engenheiros tivessem contato com o cliente. Por isso, o ser humano tem um papel fundamental no novo modelo de negócios, uma vez que o primeiro passo para a transformação digital de uma empresa é ter o empoderamento das pessoas para que possam empatizar com o cliente e o ecossistema. O verdadeiro desafio da transformação digital é mudar a forma de pensar das pessoas”, afirmou o CIO da Mercedes-Benz do Brasil, Mauricio Mazza.

Para que isso ocorra é preciso estimular a troca de experiências, seja na relação indústria e cliente como entre diferentes gerações e tipos de empresas, como as mais conservadoras e as mais dinâmicas.

 

“Nós, como consumidores pedimos que as grandes corporações se comportem da mesma maneira como fazemos quando estamos diante dos nossos aparatos digitais. É esse exercício que as empresas devem fazer para se transformarem digitalmente”, aponta o CEO e fundador da startup TRUCKPAD, Carlos Mira. Ele acredita que essa mudança cultural vai levar a novos modelos de negócios na indústria automotiva, tida como conservadora. “A indústria digital é uma eterna versão beta. Primeiro lança o produto e depois ele vai sendo aprimorado conforme o retorno do público, que dá a diretriz para onde se deve caminhar. É só observar o que a Apple fez quando lançou o primeiro iPhone, que era extremamente limitado e foi evoluindo conforme feedback dos usuários. As startups fazem inúmeros testes, que podem não funcionam, mas ganhamos experiência. Mesmo o que não dá certo gera lições aprendidas, as quais têm muito valor”, evidenciou. “Já a indústria automobilística não admite beta. Por isso, para se transformar digitalmente é preciso haver troca entre startups, que são mais rápidas e a indústria, que possui um grande número de dados”.

 

Um exemplo dessa interação é a startup LOTS Group, que faz parte da Scania e é focada na entrega de soluções completas de transporte ao invés do simples fornecimento de veículo. “Antes tudo se desenvolvia internamente em P&D e não se abria a engenharia para ninguém. Hoje as startups podem ajudar a imprimir agilidade às montadoras, pois estão mais atentas a identificar o que de fato é benefício para as pessoas. O que é bom da montadora a gente usa; o que não é a gente desenvolve”, sustentou o ManagingDirector da LOTS Group, Huber Mastelani. “O que vai acontecer com a indústria automotiva nos próximos 10 anos é o que ocorreu com a indústria da mídia nos últimos 10 anos. Quando tivermos caminhões autônomos, como eles serão comprados? O que vai ser da rede de concessionárias?O que vai acontecer com as redes de postos de combustíveis com veículos elétricos? E com as redes de estacionamento?As montadoras estão pensando nisso?”, questionou.

 

Para o Diretor Serviços do Grupo CAOA, Ivan Witt, as indústrias de veículos devem se transformar em indústria de mobilidade. “As pessoas vão deixar de comprar carros e passarão a comprar um pacote de mobilidade, que pode ser transporte público para trabalhar, bicicleta ou patinete para passear, locação de carro de luxo para viagens de finais de semana etc. O caminho são modelos colaborativos, nos quais as empresas se associam e fazem o que os clientes desejarem”, acredita. Segundo Witt, algo que ajuda na transformação digital também é o diálogo positivo e humilde entre as gerações, “sem enfrentamento, mas de forma colaborativa”.

 

Para os debatedores do Painel Transformação Digital é fundamental atrair os jovens para fazerem parte das mudanças pelas quais passa a mobilidade. “Antes o sonho dos jovens era ser engenheiro numa grande montadora; hoje eles almejam criar ou trabalhar em startups. Precisamos atrai-los para que sejam protagonistas da transformação digital na indústria”, completou o consultor Fernando Rostock, que foi mediador da mesa redonda.

 

Para o chairperson do Comitê Transformação Digital, Thiago Negretti, os objetivos do painel foram plenamente alcançados com as discussões geradas. “Veículos autônomos, conectados e elétricos estão entrando, de fato, no mercado. São temas que estamos tratando nesse painel desde 2012. Ou seja, tendências que falávamos no passado já estão se concretizando. Algo que muito nos desafia e nos motiva é que as tendências hoje para o futuro agora são incertas. Há uma série de novas tecnologias chegando, como 5G, que vão promover uma renovação nos modelos de negócios e não conseguimos predizer os serviços que os consumidores vão querer.A maneira de se produzir é diferente com a Indústria 4.0 e os serviços serão formatados de maneira colaborativa, utilizando a inteligência artificial, mas também a natural, com a troca de ideias das pessoas mais novas com as pessoas mais velhas para junto com os clientes gerar novos modelos de negócios”, concluiu Negretti.