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Futuro da educação de engenharia se faz com transversalidade de currículo, colaboração e atenção ao socioemocional

Oct 15 2019

Em um mercado em constante movimento, os valores humanos serão características cada vez mais valorizadas, antes até dos conhecimentos técnicos

Foto do painel

Em uma sociedade que caminha para o futuro mais rápido do que o processo educacional, o painel Educação de Engenharia debateu os principais aspectos que envolvem a formação dos futuros profissionais de engenharia. Transversalidade do currículo, multidisciplinaridade e atenção ao psicossocial dos alunos devem ser o foco da formação diante dos novos desafios da mobilidade.

Para o mediador do painel, professor Mauro Andreassa, do Instituto Mauá de Tecnologia, o futuro se faz mais palpável com a prática do ensino multidisciplinar. Além disso, é importante levar os conceitos socioemocionais ao ambiente da engenharia, permitindo a tomada de decisões por análises técnicas e considerando o ser humano.

“Vivemos uma grande fase de aprendizado, em que a busca pelo conhecimento é permanente, o que me faz visualizar um mundo melhor, mais confortável e menos desigual. Mas é muito difícil prever o futuro da engenharia com as atuais inovações, que nos mostram como os padrões existentes já são obsoletos e continuarão sofrendo imensas transformações”, apontou o diretor do Instituto Sindipeças de Educação, Ali El Hage.

Assim, o diferencial estará nas novas possibilidades de demanda e entrega de serviços e ensino oferecidos para atender a um mundo conectado. “O desafio será desenvolver modelos de negócios que atendam esse mercado em constante modificação”, corroborou o executivo da Bosch, Bruno Brazzatta.

A questão então é: como formar engenheiros no Brasil para essa nova indústria de mobilidade que está surgindo em um horizonte cada vez mais rápido? O primeiro passo será a sociedade aprender a viver e controlar o ambiente imediatista dos jovens.
Para a psicóloga e gestora de pessoas Marli Donizeti de Oliveira, a universidade precisa ser “incomodada”. “Hoje os professores são obrigados a orientar seus alunos seguindo uma cartilha teórica muito grande. É necessário que os mestrandos e doutorandos se posicionem a estudar temas a partir da sua experiência profissional. Os alunos devem quebrar os preconceitos e assumir opinião, levando o desafio ao professor. Com isso, o benefício vai além, sai da universidade para a indústria e se propaga pelo país”, salientou Marli.

Dessa forma, se desenvolve indiretamente uma rede de integração que coloca o aluno em situações de aprendizagem diretamente conectadas ao setor industrial. A existência de uma ampla colaboração entre as universidades de engenharia e indústrias permitirão ao Brasil se desenvolver.

“Além disso, é importante realizar um trabalho colaborativo interno e de valorização do professor, com interface entre docente, aluno e indústria. Do mesmo modo, a indústria tem que ser ouvida. Essa colaboração é a base para a construção de novos cursos, novas grades e novas oportunidades de empregos”, explica o professor e coordenador do SENAI, Ricardo Alexandre Carmona.

“Se a vida não é linear, por qual razão o ensino deve ser?”, provocou Mauro Andreassa na conclusão do painel, fazendo uma análise concomitante das várias grades curriculares em engenharia e de outros cursos, que mostram formas e velocidades de aprendizado diferentes. “O jovem quer a motivação que passa pela monetária, mas, não se restringe a ela. As universidades precisam gerar um ambiente de aprendizado permitindo que o aluno se empodere de sua formação, assumindo o protagonismo”, finaliza Andreassa.